14 de dezembro de 2009

Entrando no Santuário do Senhor

Ontem, lendo o Salmo 15, refleti sobre algumas coisas.

Este salmo, muito bonito por sinal, é um clamor do salmista a Deus perguntando “Quem habitará no Santuário [de Deus]?” v. 1

Em seguida, o salmista mesmo responde e enumera algumas características daqueles que estão aptos a morar no Santuário do Senhor, aqueles que “nunca [serão] abalados” v. 6.

As características enumeradas no salmo são:

- Ser alguém íntegro e justo;
- Ser alguém que fala a verdade, de coração;
- Ser alguém que ama (não faz mal nem difama) o próximo;
- Ser alguém que evita más companhias;
- Ser alguém que respeita os que temem (amam, repeitam) Deus;
- Ser alguém que, mesmo em prejuízo próprio, cumpre sua palavra;
- Ser alguém que é honesto, que não é ganancioso.

Esse não é um convite para nos apresentarmos ao Pai apenas quando estivermos puros. É um convite a desenvolver esse procedimento assim estarmos para sempre com o Senhor (ver 1 Tessalonicenses 4:17) . Você e eu não desejaríamos desenvolver essas características e assim estarmos aptos para morar na Casa de Deus?

Imagem retirada do site Corbis.

4 de dezembro de 2009

Pensando...

“A estratégia traz a possibilidade de nos libertarmos de traiçoeiras mesmices operacionais que, se não bem refletidas, podem atuar como uma perigosa e perversa âncora imobilista, comprometendo o avanço”
Citação encontrada no material do curso Pensamento Estratégico, da FGV Online

1 de dezembro de 2009

Roteiro de leitura da Bíblia

Existe uma forma de realizar estudo bíblico que eu considero perigosa, para não dizer perniciosa.

São aqueles tipos de estudos realizados na modalidade “perguntas e respostas”. Este tipo de estudo é geralmente conduzido por líderes de ministérios ou grupos cujo maior objetivo não é alimentar suas ovelhas daquilo que o cristianismo chama Palavra de Deus. Seu principal objetivo é a arregimentação de seguidores e discípulos a partir do convencimento de uma tal “verdade”.

São semelhantes aos escribas e fariseus que Jesus descreve em Mateus 23:15 “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!”.

Esses estudos se caracterizam em geral por questionários em que cada pergunta vem seguida de um ou dois versículos bíblicos que, dizem, responde àquele questionamento. Geralmente são “estudos” temáticos.

O problema é que esse tipo de estudo é direcionado, voltado para que a Bíblia diga aquilo que seu interlocutor pretende que diga. Versos isolados são então “jogados” sobre aquele que estuda a Palavra de Deus, reduzindo-se, muitas vezes, um tema extenso na Bíblia a uma dúzia de versículos grandemente desconectados de seus contextos.

É uma forma de estudo extremamente biblicista, voltada para memorização de versículos e idéias, pouco influenciando a vida e a caminhada cristã do estudante. Pouco ou nada inspirando ideais cristãos. O estudante tem a impressão de que está conhecendo a Bíblia quando, na verdade, está estudando um tema de maneira muito superficial. Busca-se apenas o convencimento e não um “nascer de novo” (ver João 3:3).

Tem-se então, em um paradoxo terrível, pessoas capazes de citar versos bíblicos como se fossem metralhadoras ambulantes, cuspindo textos e mais textos, mas que pouco conhecem da Palavra de Deus e das maravilhas que ela pode operar no coração e vida daquele que crê.

Sugerimos aqui uma forma / ou roteiro para estudar a Bíblia que julgamos mais adequada.

1) Se você está tendo um primeiro contato com a Bíblia, leia os livros e se familiarize com eles

Muitas pessoas nunca tiveram contato com a Bíblia e, influenciadas por um amigo ou amiga começam a estudar. A Bíblia é um livro complexo, cujo contexto sócio-cultural, político, econômico é diferente do nosso. Ela é um compêndio com dezenas de livros (66 nas edições protestantes e 73 nas edições católicas) cujo mais recente foi escrito 1900 anos atrás (!). Portanto, o primeiro passo, para quem quer começar a estudar a Bíblia é ler. Uma leitura sequencial, contínua, diária e não-esporádica. Algumas vezes você vai precisar de um dicionário. Assim cria-se familiaridade com o texto e a forma de escrita.

Nessa “fase”, alguns cuidados são importantes: escolha uma tradução contemporânea, de português atualizado e fácil leitura. Nas versões protestantes recomendo a Nova Versão Internacional (Vida) ou a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (SBB), nas versões católicas recomendo a Edição Pastoral (Paulus).

2) Leia diariamente

É importante uma leitura diária da Bíblia. Mesmo que sejam poucos minutos no início. Geralmente as próprias Bíblias trazem essas divisões, em forma de subtítulo, que conquanto não façam parte do texto inspirado, são de grande valia na hora de escolher uma ou duas “unidades de leitura” ou evento.

3) Conheça o contexto histórico e literário

O estudo propriamente dito da Bíblia começa aqui.

Uma vez familiarizado com o texto, lembre-se: o mais recente foi escrito há 1900 anos. Portanto, você precisa conhecer o contexto no qual aquele livro, carta foi escrita. Algumas edições trazem alguma introdução sobre o contexto histórico e análise de autoria. Sugestões na seara protestante: Bíblia Thompson (Vida) e Bíblia Shedd (Vida Nova). Sugestões católicas: Bíblia do Peregrino (Paulus) e Bíblia de Jerusalém (Paulus).

Além disso recomenda-se atentar para os aspectos literários: do que o autor está falando? Qual o tema central do texto? É poesia, prosa, lenda, mito, parábola? Qual a mensagem espiritual que o autor estava querendo ensinar quando escreveu?

4) Priorize a leitura escriturística

Essa “dica” é concomitante a anterior. Priorize o estudo completo de um livro ou carta. Uma exceção a essa regra talvez se aplique ao livro de Salmos.

Em um primeiro momento é mais importante conhecer um livro (Atos dos Apóstolos, Evangelho segundo Lucas, Isaías, etc) do que um tema específico. Em vez de escolher um tema (santificação, por exemplo) leia o livro de Atos dos Apóstolos fazendo a análise do livro e não de um tema específico.

Estudar um tema é importante, obviamente, mas a prioridade é a leitura de um escrito, fazendo a devida análise de contexto. Se a busca for única e exclusivamente de um tema corre-se o risco de se buscar textos (versículos) fora do contexto e “forçá-los” a dizer aquilo que o texto não está dizendo. E como diz um amigo meu: "um texto, fora do contexto, é motivo para um pretexto".

5) Estude um tema

O estudo de um tema é relevante e deve ser feito, mas esse tipo de estudo se aplica àquelas pessoas que já estão familiarizados com as Escrituras. Para isso, você precisará de mais que uma Bíblia. É interessante o uso de um dicionário bíblico e/ou uma enciclopédia bíblica. Também pode ser de grande valia o uso de um comentário bíblico e uma concordância.

Na hora de estudar um tema, busque informações diversas. Para formar uma visão precisa e correta de um tema busque as diferentes perspectivas sobre aquele assunto: qual a visão de católicos e qual a dos protestantes? Qual a visão contemporânea e a dos reformadores? Como os pais da igreja viam isso e como nós vemos atualmente? Entre outras perguntas que podem ser feitas.

O estudo de um tema deve ser profundo e voltado para uma análise acurada. Não se estuda um tema bíblico com base em meia dúzia (ou uma dúzia que seja) de versículos, “analisados” em uma hora.

6) Lembre-se: sua fé deve ser em Deus, não na Bíblia

Por último, a principal recomendação: quando estiver lendo a Bíblia, que reputamos como Palavra de Deus, coloque em sua mente que ela foi escrita em um tempo diferente, por pessoas em contextos diferentes do seu, com objetivos específicos para aquela hora e lugar.

Deus opera na história e sua graça se revela nas pessoas e na prática do amor. Ele está presente hoje como esteve presente nos tempos bíblicos. Não amamos a Deus na medida em que amamos o próximo. Amamos ao próximo porque amamos a Deus.

Portanto, ao encontrar um texto “difícil” lembre-se disso, busque informações, analise outras perspectivas sabendo que a fé cristã é em Deus e não na Bíblia. Deus inspirou quem a escreveu e não o texto em si (ver 2 Coríntios 3:6) Ela é um meio para conhecermos a Deus, e não um fim. A vida cristã transcende a Bíblia, ainda que tenha origem nela.

27 de novembro de 2009

Resumo: "Afinal de contas, o que é pensamento estratégico?"

FERNANDES, Uberaldo. Afinal de contas, o que é pensamento estratégico?

O texto de Uberaldo Fernandes tem como premissa básica que a atuação do principal dirigente de uma organização é "decisiva para a prática do pensamento estratégico".Ele então enumera três características de uma organização que "pratica efetivamente o pensamento estratégico":

1) Olha continuamente para o ambiente, para aquilo que é externo à organização e que pode influenciar o futuro. Há implementação e acompanhamento da Estratégia mas a organização dedica-se muito mais à formulação estratégica.

2) Há processos de gestão consistentes para o desenvolvimento das equipes, dos talentos e para minimizar problemas nos processos internos.

3) A organização tem capacidade de reportar resultados aos stakeholders.

Sua conclusão é que o "principal dirigente da organização [precisa] inovar e dedicar ao menos 70% de seu tempo na formulação e nos assuntos de estratégia"

23 de novembro de 2009

O problema com a Saúde Pública: falta de clareza no modelo de negócio

Muita gente reclama da Saúde Pública nesse país. Não diria que é ruim, mas convenhamos, ela é realmente mal administrada.

Essa não é uma crítica aos profissionais que trabalham na área. Por conhecer pessoas que atuam nesse “nicho” posso afirmar com relativa precisão que os melhores profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, etc) trabalham nos hospitais e instituições de saúde pública. Ouso dizer que o principal problema não são os profissionais e/ou sua capacitação técnica. O grande problema da saúde é como ela é gerida.

Propomos aqui, nesse pequeno espaço que temos, uma pequena sugestão que pode servir de indicação para o modelo de negócio dos estabelecimentos de saúde.

Partimos do conceito de Mark W. Johnson, Clayton M. Christensen e Henning Kagerman, em seu artigo Reinvente seu Modelo de Negócios, publicado na revista Harvard Business Review (Brasil), Dezembro 2008. p. 30 – 40.

Segundo os autores um modelo de negócio abarca quatro elementos interligados: Proposta de Valor ao Cliente, Fórmula de Lucro, Principais Recursos e Principais Processos.

Proposta de Valor ao Cliente
Você já viu algum gestor de saúde dizendo “queremos acrescentar valor no atendimento ao cidadão”? Eu, particularmente, nunca vi. Uma instituição que quer apresentar um bom serviço de saúde precisa se perguntar isso: “O que é valor para um cidadão que procura um hospital ou posto de saúde?”. A maior de todas é, obviamente, não morrer. Outras alternativas são passíveis de análise: pouco tempo de espera para ser atendido, ambiente limpo e livre de infecções, gentileza no trato com os pacientes. Uma pesquisa mais acurada poderia ser realizada.

Fórmula de Lucro
É complicado falar em lucro quando o assunto é saúde PÚBLICA. Uma vez que a fonte de recursos é o Estado temos então que falar em equilíbrio de custos. Um equilíbrio que permita prestar um bom serviço sem ser extremamente oneroso.

Principais Recursos
No dizer dos autores temos: “Os principais recursos são ativos como gente, tecnologia, produtos, instalações, equipamentos, canais e marcas – recursos que a empresa precisa para honrar a proposta de valor feita à clientela visada.” P. 34. Isso quer dizer que nossos gestores na área de saúde precisam pensar no melhor quadro de profissionais e equipamentos que desejam prover, sempre vinculando isso ao valor que querem oferecer ao cliente.

Principais Processos
“Uma empresa de sucesso tem processos operacionais e gerenciais que permitem que proporcione valor de maneira reproduzível – e passível de crescer em escala.” p. 35.
É preciso ter claro qual os principais processos (rotinas) em um hospital: prescrição de remédios ou a lâmpada que queimou no corredor, o preenchimento de um prontuário ou se a comida a ser servida será arroz ou purê. Todos são importantes, mas alguns são críticos, imprescindíveis, principais. Nesses deve-se dar foco e se melhorar continuamente. Uma das razões de um atendimento lento nas instituições de saúde são as falhas de processo. Quando um paciente chama um enfermeiro e ele demora, é porque há uma falha de processo. Quando um prontuário possui informações insuficientes, pode haver uma falha de processo. Os hospitais, por exemplo, precisam prover treinamento para seu quadro de pessoal.

Com base nos pontos acima propomos que os gestores de saúde pensem naquilo que querem oferecer. Um pequeno check list para isso seriam as perguntas abaixo:

1) O que posso e devo oferecer ao cidadão que vai fazer ele elogiar o (ou não reclamar do) atendimento em minha instituição de saúde?

2) Que medidas posso tomar nos processos não-críticos para não gastar dinheiro desnecessariamente?

3) Quanto posso e devo pagar para ter equipamentos e profissionais adequados a fim de prestar um excelente serviço?

4) Quais meus processos (rotinas) principais e como posso melhorá-los?

Obviamente, esse não é um esgotamento do assunto, mas achei interessante pontuar esses detalhes.

Foto retirada do site Corbis.

E antes não era?

Ontem, estava eu assistindo o programa global "Fantástico" quando, na hora do plim-plim, apareceu a propaganda do TSE.

Após contar uma anedota sobre as eleições e o coronelismo, o personagem mais velho diz: "Mas com a urna eletrônica a eleição agora ficou segura". Ao passo que o mais novo retruca: "E com identificação biométrica* fica impossível descobrir quem você é".

Algumas perguntas:

- Antes era possível identificarem?

- Pela impressão digital não fica até, digamos, mais fácil identificar quem é o votante? No Brasil, não há um cadastro nacional unificado de registro biométrico (o registro é Estadual e carece de tecnologia). Mas a tecnologia existe e é aplicada em departamentos de segurança pública de países como os EUA.

- Considerando a pergunta / observação anterior, essa tal "segurança" não se basearia em uma falha estrutural e não em uma estrutura sólida e clara de governança e Sistema?

*biometria é a forma de identificação via impressão digital.

11 de novembro de 2009

Mãe é Mãe

Esse vídeo eu recebi de meu cunhado. Surpreende quando ela volta com um "galerão".


video

5 de novembro de 2009

Pensando...

"Em 20 anos mais, que empresa será lembrada como a pioneira da música na internet, Apple ou Napster?
A grande lição é que nenhum executivo deveria ficar muito animado com a inovação por si só. Ela é só o começo. A verdadeira diferença entre o sucesso e o fracasso está no alinhamento da estratégia."
KIM, W. C. MAUBORGNE, R. Como a estratégia dita a estrutura. Harvard Business Review (Brasil). Setembro, 2009, p. 42-50. (Citação na página 50)